terça-feira, 23 de março de 2010

PROVA de ORIENTAÇÂO (ultima parte)


De novo em marcha.
A certa altura, passámos por uma árvore com frutos desconhecidos, que apresentavam uma espécie de vagem com um interior licoroso (de aspecto) e várias “bolinhas”. Por cautela, pois receávamos pudesse ser venenosa, acabámos por prosseguir sem lhe tocar.
Estávamos já no terceiro dia, e as pressões para a abertura do famigerado envelope subiam de tom. Voltámos a ponderar os prós e os contras, e foi então decidido por maioria que devia ser aberto. Que informações poderia conter?
Aberto o envelope, constatámos que para além de algo escrito (que sinceramente não recordo) continha um pequeno croqui da área onde nos encontrávamos. Nele constava, para além das pedreiras de referência, uma linha de caminho de ferro que corria perpendicularmente ao nosso azimute. Deste modo, era praticamente impossível que nos tivéssemos perdido. Afinal, fôramos bem enganados pelo Praça e as pedreiras ficavam bem mais longe do que as tais duas horas.
Reanimados por estes novos dados, prosseguimos.
Pelas oito/nove da manhã ouvimos ruídos, que com a aproximação cada vez mais pareciam ser produzidos por pancadas em árvores. Avançamos com cautela, pois havia o risco (remoto) de encontrar elementos do IN. Afinal, eram mesmo madeireiros que se tinham embrenhado na mata em busca de bons troncos.
Água não tinham, mas tinham cigarros e a valiosa informação de que já não faltava muito para chegar às pedreiras. Agradecemos e continuámos. Pouco depois avistámos ao longe umas bananeiras, e foi até lá que a sede e a fome nos levaram. Mas nada. Estavam completamente limpas. Apresentavam apenas uns projectos de cacho de banana, que de nada nos serviam.
Talvez uma hora depois, avistámos ao longe os primeiros sinais da linha de caminho de ferro. Foi para lá que nos dirigimos em linha recta, mas antes mesmo de a alcançar apareceu à nossa esquerda, ao fundo e atrás de alguma vegetação uma modesta casinha que servia de habitação a um ferroviário.
Uma vez chegados, a nossa prioridade foi para a água que uma simpática senhora negra colocou á nossa disposição. Eu, depois de encher o cantil, só parei quando aquela dose acabou. Isso mesmo, foi um litro completo para “aperitivo”. Depois a generosa negra, desculpando-se dizia “ O meu marido é branco. Se ele estivesse talvez mandava matar galinha. Eu só pode dar pão e atum da lata”.
Meus amigos, até hoje recordo como a melhor refeição da minha vida, aquela humilde fatia de pão coberta de atum em conserva, a quem esporadicamente se juntavam mais alguns goles da super preciosa água. Que Deus proteja e abençoe aquela mulher. Como eu gostaria de lhe agradecer!
Saciada a fome e a sede partimos de novo na direcção das pedreiras que distavam agora menos de um quilómetro.
Deviam ser umas onze da manhã.
Lá nos aguardava, um pertinente questionário que devia ser preenchido ainda a “quente”, para expressar de forma fiel, os sentimentos e sensações que nos assaltaram, durante esta aventura.
Fora cumprida mais uma das etapas, que conduzia á conquista do ambicionado crachá.

Até breve, e um abraço do
Augusto Fonseca

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